Durante um
fim de semana, quatro aventureiros entraram num jipe e rumaram a Maubara, um
local de polaridade inversa de Díli. Maubara fica a cerca de 2 horas de
distância da capital Díli, para Oeste, também junto da costa. Para lá chegar,
passa-se por uma terra cujo nome eu já ouvi muitas vezes, Liquiçá, mas onde
nunca tinha passado. Nós, os quatro aventureiros, mergulhámos de cabeça na
montanha-russa que é a estrada entre Díli e Liquiçá e, agarrados com unhas e
dentes a tudo quanto existia no Jipe, navegámos os baixos e os altos de uma
estrada de terra batida, que em muitos lugares mais parecia um cenário de filme
de ficção científica no espaço, quiçá, nalgum planeta de clima desértico...
Sair de Díli
foi, para mim, uma experiência muito enriquecedora. Pude, pela primeira vez,
observar uma riqueza de flora e fauna que ainda não conhecia e tomar contacto
com pequenas vilas, aldeias e aglomerados de população, cada qual com as suas
formas de construção típicas. Búfalos, vacas, porcos (que mais parecem javalis,
ainda que sem as presas), galinhas, patos e uma imensidão de cabras foram
polvilhando as paisagens rodeando a estrada onde circulávamos, em alguns
lugares a não mais de 2km/h. Em Tétum, cabra diz-se ‘bibi’ e eu fiquei a saber,
aliás eu vi em primeira mão, o quão suicidas as ‘bibi’ são por estes lados. Com
carros a circular e motas a serpentear no meio deles, Biscotas (carrinhas
grandes com lugares sentados que fazem o transporte de passageiros entre
distâncias longas) e Microletes (carrinhas pequenas que fazem o transporte em
distâncias pequenas), estas insanas criaturas jogam-se para a estrada sem
pensar nas consequências!!! É realmente uma sorte que ainda tantas delas
estejam vivas... Na viagem de regresso, uma imagem ainda mais mirabolante: o
camião a molhar a estrada (para acalmar a poeira, já que a estrada é de terra
batida) criava pequenas poças de água no lugar dos buracos existentes, então as
‘bibi’ (certamente desesperadas com sede) iam para o meio da estrada beber a
água dessas poças e não se desviavam nem quando os carros se encontravam
prestes a tocar-lhes no pêlo. Tivemos mesmo de parar para não atropelar uma das
‘bibi’, que, despreocupadamente, continuou a beber a sua água como se nada
fosse!
De Liquiçá
em diante a estrada é fantástica, o pavimento é novo, tem linhas pintadas,
sinais de limite de velocidade e aproximação de passadeiras e até as
passadeiras pintadinhas! Enfim, um luxo!!! Claro que esta parte do percurso
decorreu de forma muito rápida, com o Jipe a conseguir atingir uns estonteantes
90 Km/h (infelizmente estávamos em incumprimento, já que o sinal de velocidade indicava um máximo de 60km/h, mas também só andámos mais do que isso cerca de
uns 300 metros – depois apareceram ‘bibis'!!!
Almoçámos
num bonito forte, reminiscente da ocupação Holandesa, agora transformado na
sede de uma Cooperação, chamada 'Mós Belle', com um restaurante, uma lojinha de produtos típicos e
um grande jardim com bancos e cadeiras para repousar à sombra das árvores.
Durante o nosso tempo lá, pudemos ouvir Xutos e Pontapés, GNR e Michael Jackson
;) A comida estava ótima, todos estávamos com fome, o que poderá ter potenciado
o sabor, mas não creio. Eu comi uma espetada de pedaços de frango com caril em
volta e cebola, fritos numa massa crocante envolvente – fazia lembrar os ‘corn dogs’
americanos, mas numa tonalidade mais laranja. A acompanhar bebi um sumo de tamarindo,
que só pecou por vir com muito açúcar (uma nota: em Timor, tudo que é bebida
vem com imenso açúcar, a menos que se peça estritamente sem ele! Da próxima
tenho de pedir sem açúcar, mas primeiro tenho de confirmar com o professor de Tétum como devo pedir).
Depois de
revigorados com o almoço, sentámo-nos e apreciámos uma belíssima prainha num
relaxante bar à beira-mar. Um ambiente que me fez lembrar as esplanadas de
praia em Portugal, adjuvado pelo facto de eu estar a beber uma Água das pedras,
limão e chá-verde. O ponto alto da nossa visita foi logo de seguida, com uma
romaria pelas cabanas junto à praia onde as pessoas fazem e vendem produtos
regionais, uns de palhinha, outros com o tecido mais típico de Timor, que se
chama Tais (é às risquinhas, muito colorido, e a coloração vem de pigmentos
extraídos de produtos da natureza de cada região, pelo que são sempre
diferentes!). Comprados os ‘recuerdos’ da nossa aventura, voltámos a entrar no
jipe para mais uma sessão de montanha-russa. Foi uma viagem com misto a Feira
Popular. Deixo-vos um pequeno filme da belíssima Maubara.
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