Apesar de
todas as limitações que encontramos em Timor existem coisas que fazem com que
esta experiência se torne muito agradável. Uma das coisas que mais me tem
agradado por estes lados prende-se com a possibilidade de ter acesso a uma grande variedade de culturas e gastronomias asiáticas, algo que em Portugal, ou
melhor dizendo em Aveiro, nem sempre é tão possível de aceder.
Uns dias
depois de ter chegado, e sabendo do meu gosto e interesse pelo Japão, sua
cultura e gastronomia, um grupo de colegas decidiu levar-me a um restaurante
perto do sítio onde moramos. A cerca de 10 minutos a pé (ou 30, dependendo do
tráfego nas estradas que temos de atravessar em sprints no meio dos carros,
motas...) do sítio onde estou a viver fica um restaurante que se chama
“Wasabie”, serve comida Japonesa e Indonésia. A experiência foi muito boa,
desde logo achei que os sabores, as texturas e a apresentação eram similares à
verdadeira comida nipónica, não sendo aquilo que agora está na moda em
Portugal, que são os restaurantes de fusão: em que nenhum prato deixa realmente
perceber de onde vem ou a que cultura pertence por causa de tantas
alterações/adaptações... (um aparte para dizer que respeito muito os
restaurantes de fusão e que já comi muitíssimo bem em alguns deles, só me
revolto contra eles quando dizem ser restaurantes de comida do país X ou Z, quando
na verdade não o são minimamente! Seria o mesmo que eu abrir um restaurante
italiano e servir paella!). A sopa de miso que servem, ainda que um pouco
carregada, é muito boa e sempre que a como sou imediatamente transportada
para as memórias da minha estadia no Japão e para as saudades de todos os meus
amigos por lá. Esta sopa, à qual me foi difícil habituar quando cheguei ao
Japão, por ter um sabor tão forte e intenso, tornou-se uma ‘staple food’ da
minha vida e, muitas vezes, em Portugal, naqueles dias frios, suspiro por uma
taça de sopa de miso para acompanhar a minha refeição.
Fui mais
recentemente a outro restaurante Japonês, desta vez dentro do Timor Plaza, o
centro comercial de Díli, chamado Gion. Já ouvira falar muito da melhor
qualidade que o Gion tinha em relação ao Wasabie, ouvi dizer que os preços eram
mais elevados, mas perfeitamente de acordo com a qualidade da comida. Num dia
de compras decidi entrar e experimentar. A decoração era claramente a ideia de
Japonês por parte de chineses, e percebi rapidamente que eram efetivamente
chineses quem geria o espaço, empregando alguns timorenses claro. Sentei-me
completamente só no restaurante e comecei a preparar-me para pedir, quando, de
repente, passa algo no chão de um lado para o outro, a empregada faz um gesto
de olhar na direção daquilo que tinha passado e eu não estava a perceber o que
se passava...pois bem, era uma ratazana, uma senhora ratazana para aí com uns
30 cm de comprimento (com o rabo) a correr pelo restaurante. O meu cérebro
entrou em ‘crash’: metade gritava “Levanta-te e sai” e a outra metade,
observada de perto pelos cerca de 8 funcionários, pensava, “Vá, estás em Timor,
deixa-te de coisas”, e no fim deixei-me mesmo ficar e acabei por comer lá. Estar
em Timor Leste é de facto uma predisposição para aceitar a vida de forma
diferente (mas nunca mais volto a este restaurante... não se o puder evitar!). De
qualquer forma, a comida não era má, mas não se destacava da do Wasabie. Os
preços também acabaram por ser relativamente parecidos. A única coisa mais
positiva foi a possibilidade de beber “Calpis”, uma espécie de refrigerante com
leite que nunca encontrei fora do Japão, só por isso, valeu a pena!
Para além
da comida Japonesa no Wasabie e no Gion, pude deliciar-me com um bolinho recheado de anko
(pasta doce de feijão) numa loja de doces no Timor
Plaza. O bolinho despertou em mim o ‘Anko Monster’ que eu sou, ai que saudades
de anko!!! Finalmente, no outro dia no Supermercado Lita (talvez se lembrem
dele, foi o sítio onde tive um encontro com uma senhora Japonesa e a sua
lindíssima filha, que é metade portuguesa também; podem ver a história aqui: http://timordevera.blogspot.com/2014/09/encontros-imediatos-em-lecidere.html
) encontrei uma bebida que, segundo garante um amigo meu americano que vive no
Japão desde que eu lá estive, é a cura perfeita para a ressaca: Pocari Sweat.
Trata-se de uma bebida isotónica com um ligeiro sabor ‘alimonado’. Neste calor
imenso, beber uma latinha bem fresquinha sabe-me melhor do que a muita gente
sabe uma cerveja gelada.
É tão bom
matar saudades das coisas que nos fazem viajar pelas nossas memórias, pois
perto ou longe das pessoas, lugares, cheiros e tradições, são as nossas
memórias que nos acompanham sempre e que nos fazem sentir ‘em casa’.
(Now in English :P )
I’m
sorry for not having the time to write all in English, but a quick summary for
those of you who do not speak Portuguese. Living in East Timor has given me
plenty of opportunities to recall my time in Japan. There are two Japanese restaurants
that I have already tried out and I am particularly fond of the one called Wasabie, which is close to where I live!
I’ve also found some products like Pocari
Sweat or Calpis. Last but not
least, for an ‘anko monster’ such as
myself, I was able to eat a snack filled with anko the other day – needless to say I was in heaven! I really miss
Japan and every time I find something Japanese or am reminded of my time there,
I feel extremely happy!
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