terça-feira, 18 de novembro de 2014

Matar saudades do Japão em Timor

Apesar de todas as limitações que encontramos em Timor existem coisas que fazem com que esta experiência se torne muito agradável. Uma das coisas que mais me tem agradado por estes lados prende-se com a possibilidade de ter acesso a uma grande variedade de culturas e gastronomias asiáticas, algo que em Portugal, ou melhor dizendo em Aveiro, nem sempre é tão possível de aceder.
Uns dias depois de ter chegado, e sabendo do meu gosto e interesse pelo Japão, sua cultura e gastronomia, um grupo de colegas decidiu levar-me a um restaurante perto do sítio onde moramos. A cerca de 10 minutos a pé (ou 30, dependendo do tráfego nas estradas que temos de atravessar em sprints no meio dos carros, motas...) do sítio onde estou a viver fica um restaurante que se chama “Wasabie”, serve comida Japonesa e Indonésia. A experiência foi muito boa, desde logo achei que os sabores, as texturas e a apresentação eram similares à verdadeira comida nipónica, não sendo aquilo que agora está na moda em Portugal, que são os restaurantes de fusão: em que nenhum prato deixa realmente perceber de onde vem ou a que cultura pertence por causa de tantas alterações/adaptações... (um aparte para dizer que respeito muito os restaurantes de fusão e que já comi muitíssimo bem em alguns deles, só me revolto contra eles quando dizem ser restaurantes de comida do país X ou Z, quando na verdade não o são minimamente! Seria o mesmo que eu abrir um restaurante italiano e servir paella!). A sopa de miso que servem, ainda que um pouco carregada, é muito boa e sempre que a como sou imediatamente transportada para as memórias da minha estadia no Japão e para as saudades de todos os meus amigos por lá. Esta sopa, à qual me foi difícil habituar quando cheguei ao Japão, por ter um sabor tão forte e intenso, tornou-se uma ‘staple food’ da minha vida e, muitas vezes, em Portugal, naqueles dias frios, suspiro por uma taça de sopa de miso para acompanhar a minha refeição.
                         

Fui mais recentemente a outro restaurante Japonês, desta vez dentro do Timor Plaza, o centro comercial de Díli, chamado Gion. Já ouvira falar muito da melhor qualidade que o Gion tinha em relação ao Wasabie, ouvi dizer que os preços eram mais elevados, mas perfeitamente de acordo com a qualidade da comida. Num dia de compras decidi entrar e experimentar. A decoração era claramente a ideia de Japonês por parte de chineses, e percebi rapidamente que eram efetivamente chineses quem geria o espaço, empregando alguns timorenses claro. Sentei-me completamente só no restaurante e comecei a preparar-me para pedir, quando, de repente, passa algo no chão de um lado para o outro, a empregada faz um gesto de olhar na direção daquilo que tinha passado e eu não estava a perceber o que se passava...pois bem, era uma ratazana, uma senhora ratazana para aí com uns 30 cm de comprimento (com o rabo) a correr pelo restaurante. O meu cérebro entrou em ‘crash’: metade gritava “Levanta-te e sai” e a outra metade, observada de perto pelos cerca de 8 funcionários, pensava, “Vá, estás em Timor, deixa-te de coisas”, e no fim deixei-me mesmo ficar e acabei por comer lá. Estar em Timor Leste é de facto uma predisposição para aceitar a vida de forma diferente (mas nunca mais volto a este restaurante... não se o puder evitar!). De qualquer forma, a comida não era má, mas não se destacava da do Wasabie. Os preços também acabaram por ser relativamente parecidos. A única coisa mais positiva foi a possibilidade de beber “Calpis”, uma espécie de refrigerante com leite que nunca encontrei fora do Japão, só por isso, valeu a pena!
Para além da comida Japonesa no Wasabie e no Gion, pude deliciar-me com um bolinho recheado de anko (pasta doce de feijão) numa loja de doces no Timor Plaza. O bolinho despertou em mim o ‘Anko Monster’ que eu sou, ai que saudades de anko!!! Finalmente, no outro dia no Supermercado Lita (talvez se lembrem dele, foi o sítio onde tive um encontro com uma senhora Japonesa e a sua lindíssima filha, que é metade portuguesa também; podem ver a história aqui: http://timordevera.blogspot.com/2014/09/encontros-imediatos-em-lecidere.html ) encontrei uma bebida que, segundo garante um amigo meu americano que vive no Japão desde que eu lá estive, é a cura perfeita para a ressaca: Pocari Sweat. Trata-se de uma bebida isotónica com um ligeiro sabor ‘alimonado’. Neste calor imenso, beber uma latinha bem fresquinha sabe-me melhor do que a muita gente sabe uma cerveja gelada.


     

É tão bom matar saudades das coisas que nos fazem viajar pelas nossas memórias, pois perto ou longe das pessoas, lugares, cheiros e tradições, são as nossas memórias que nos acompanham sempre e que nos fazem sentir ‘em casa’.

(Now in English :P )
I’m sorry for not having the time to write all in English, but a quick summary for those of you who do not speak Portuguese. Living in East Timor has given me plenty of opportunities to recall my time in Japan. There are two Japanese restaurants that I have already tried out and I am particularly fond of the one called Wasabie, which is close to where I live! I’ve also found some products like Pocari Sweat or Calpis. Last but not least, for an ‘anko monster’ such as myself, I was able to eat a snack filled with anko the other day – needless to say I was in heaven! I really miss Japan and every time I find something Japanese or am reminded of my time there, I feel extremely happy!

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