domingo, 21 de setembro de 2014

Descobrindo Timor: Cristo Rei e Praias

Num fim de semana tive a sorte de ir conhecer alguns sítios bonitos de Díli. Uma colega levou-me a conhecer o Cristo-Rei. Trata-se de uma estátua de Jesus Cristo de grandes dimensões, de braços abertos, ao alto em cima de um globo terrestre, que se encontra no cimo de um monte, a olhar para o mar.

Estátua do Cristo Rei

A imagem não é muito diferente daquela que pode ser vista no Pão de Açúcar do Rio de Janeiro, ou na outra margem olhando Lisboa. O caminho até ao cimo é feito através de umas escadas. A subida é longa e, neste clima, torna-se árdua. Mas vale tanto a pena!!! A vista de lá de cima, num pico da ilha, permite ver para os dois lados: para a Praia dos Portugueses (que já se chamou Praia das Nações Unidas, parece) e para a Praia do Cristo-Rei.


Praia dos Portugueses

Praia do Cristo Rei

É lindo, sobretudo por ver aquela água tão límpida e transparente que se estende por vários metros desde o areal. Depois de termos subido, descemos para o lado da Praia dos Portugueses. Trata-se de uma praia com pouco areal, com árvores que chegam quase junto da água, de areia branca e água transparente. Infelizmente, o areal estava muito sujo, com muito lixo espalhado. Explicaram-me depois que algum deste lixo vem pelo mar; parece que costumavam limpar a praia há algum tempo atrás, mas como também é pouco frequentada, parece que deixaram de o fazer. Na verdade, nas quase 3 horas que lá passámos, só vimos umas dez pessoas, espalhadas pela larga baía. Cruzámo-nos com apenas 3 senhores, dois dos quais deveriam ser australianos, mas todos muito simpáticos. Poder estar deitada na praia mas com a sombra de uma bonita árvore foi maravilhoso.

Praia dos Portugueses, com o Cristo Rei ao fundo

A água é simplesmente perfeita, nem muito quente, nem muito fria, mas calçado é obrigatório pois está cheia de pedras que tornam a entrada algo difícil.
Foi um bom momento de relaxamento e de convívio com a natureza. A toda a volta as montanhas de vegetação baixa e rara. O leve bater de ondas pequenas era o único som que cortava o silêncio. Foi uma boa experiência para mim, que não sou particularmente adepta de praia.
Tornámos a subir até meio do percurso para o Cristo-Rei para poder regressar à Praia do Cristo-Rei. Na descida, e depois de salientar como as escadas eram perigosas por as pedras estarem muito polidas e o tamanho dos degraus ser estreito e irregular, eu pude experimentar na primeira pessoa esse perigo: escorreguei e caí num lance de degraus. A minha colega estacou com receio de que eu me tivesse magoado a sério, mas felizmente não tive mais do que algumas nódoas negras, nas partes que efetivamente ficaram a conhecer intimamente os degraus! Realmente, é necessário ter atenção e cuidado a subir e descer estas escadas, o tempo tornou-as muito polidas e por isso escorregam bastante, e nós, seres humanos, não temos a agilidade e o equilíbrio destas cabras do monte que por ali se passeavam (e que devem ter rido às minhas custas!).

Cabra do monte na subida do Cristo Rei

Esta praia é um pouco diferente da dos Portugueses, mas achei-a muito agradável. Tem pouco areal, e o mar permanece numa espécie de baía lagunar por uma boa extensão até finalmente ter ondas. Novamente, calçado é imprescindível, por causa de rochas e pedras.


Praia do Cristo Rei, na maré baixa
Selfie na Praia do Cristo Rei

Quando estavamos cansadas da praia, e na falta de táxis por estes lados, caminhámos durante uns 20 minutos até à Praia da Areia Branca. Pelo caminho pudemos apreciar alguns aspetos pitorescos deste sítio à beira-mar: as curiosas entradas para a praia, sempre com animais ou representações em estátua, e as sombrinhas redondas.


Entrada da praia na Praia do Cristo Rei
Sombrinhas na marginal da Praia do Cristo Rei

Chegámos finalmente à Praia da Areia Branca. Esta praia é uma baía em que a profundidade da água é muito baixa, pelo que alguns colegas chamam-lhe ‘poça’. Quando a maré está cheia a água até é límpida, mas na maré baixa isso não acontece.


Marginal da Praia da Areia Branca
Esplanada na Praia da Areia Branca, a beber uma água de côco

Nesta praia existem algumas esplanadas exploradas por cafés e restaurantes. Experimentei pela primeira vez uma água de côco bem fresquinha e gostei. Foi extremamente refrescante depois de uma longa caminhada debaixo de sol. Almoçámos nesta esplanada, a olhar o mar. Aqui o silêncio não foi muito abundante. Eram vários os grupos de Portugueses que se encontravam na esplanada, a aproveitar o sol e a banhar-se, foi bom estar rodeada de pessoas a falar e a divertir-se, de repente quase que fui ‘transportada’ para Portugal.
E por aqui, pela terra dos crocodilos, os únicos que vi até agora foram estes 3, mas como podem ver, são inofensivos! Estão na estrada de acesso à Praia da Areia Branca.

Monumento com crocodilos junto da Praia da Areia Branca
O problema destes locais, que são bastante deslocados do centro de Díli, é que se torna muito difícil encontrar táxi para regressar. Quando as pessoas têm transporte próprio podem estar descansadas, mas esse não era o nosso caso. Quando pensámos regressar não havia nenhum táxi. Começámos a caminhar na esperança de encontrar algum pelo caminho, mas ainda demoraram mais de 40 minutos até finalmente aparecer um que estivesse livre e nos levasse de volta ao centro. Pelo caminho fomos tentando admirar a paisagem e aproveitar as poucas sombras que nos foram aparecendo.

No caminho de regresso a Lecidere, no centro de Díli

O balanço final foi ótimo: foi um bom passeio, com muito calor e muito sol. 

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